ROI de imobiliária: como calcular com fórmula simples, exemplo em reais e custo por contrato
ROI de imobiliária é calculado com a fórmula (receita gerada − investimento) ÷ investimento × 100. Some tudo o que gastou no período — portais, tráfego pago, ferramentas — e as comissões líquidas que esses gastos geraram. Se investiu R$ 6.000 e recebeu R$ 21.000 em comissões, o ROI é de 250%. Calcule por canal, descontando o split do corretor, para saber onde investir o próximo real.
No fechamento do mês, a planilha mostra R$ 43 mil em comissões. Do outro lado, as despesas: R$ 1.800 de portal, R$ 3.200 de tráfego pago, R$ 1.000 de CRM e ferramentas. Aí alguém pergunta na reunião: desses R$ 43 mil, quanto veio de cada canal? Silêncio. O gestor sabe quanto gasta, sabe quanto entra, mas não sabe o que liga uma coisa à outra.
Sem essa ligação, toda decisão de investimento vira aposta. Renova-se o contrato anual do portal porque “sempre teve”, corta-se o tráfego pago no primeiro mês fraco, e a indicação — que talvez seja o canal mais rentável da casa — nem entra na conta porque “não custa nada”.
O cenário de 2026 tornou esse descontrole mais caro: o Imobi Report registrou a menor captação de imóveis novos da série histórica. Com menos produto entrando, cada real investido em gerar negócio precisa render mais — e só dá para exigir rendimento do que se mede.
A fórmula, sem mistério
ROI é retorno sobre investimento. A conta:
ROI = (receita gerada − investimento) ÷ investimento × 100
Receita gerada são as comissões que a imobiliária recebeu de negócios originados por aquele investimento. Investimento é tudo o que foi gasto para gerar esses negócios: portais, anúncios, ferramentas, produção de conteúdo, bônus de indicação.
A fórmula é trivial. O que derruba a maioria das imobiliárias são dois detalhes de aplicação:
- O período precisa casar. O ciclo de venda de um imóvel costuma levar 60 a 90 dias, às vezes mais. O correto é comparar o investimento de março com as comissões dos leads captados em março — mesmo que o dinheiro só entre em junho. Comparar o gasto do mês com o caixa do mês mistura safras e distorce tudo.
- Receita é comissão, não VGV. Vender R$ 2 milhões em imóveis não é receita de R$ 2 milhões. A receita da imobiliária é a comissão sobre esse valor — e, como veremos, nem toda a comissão fica na casa.
Exemplo completo: um mês na ponta do lápis
Investimento do mês de uma imobiliária pequena:
- Portal: R$ 1.800
- Tráfego pago: R$ 3.200
- CRM e ferramentas: R$ 1.000
- Total: R$ 6.000
Resultado dos leads captados nesse mês, fechados ao longo do trimestre seguinte: uma venda de R$ 350.000 com comissão de 6%, ou seja, R$ 21.000 brutos para a imobiliária.
ROI bruto = (21.000 − 6.000) ÷ 6.000 × 100 = 250%.
Parece excelente. Mas o corretor que fechou tem split de 40%: leva R$ 8.400. Sobram R$ 12.600 para a casa.
ROI sobre o que fica = (12.600 − 6.000) ÷ 6.000 × 100 = 110%.
Ainda é positivo — mas é menos da metade do número que iria para a apresentação. E ainda falta o imposto do seu regime tributário. O princípio que não varia: calcule sobre o que sobra, não sobre o que passa.
ROI por canal: portal, tráfego pago e indicação
O ROI agregado esconde canal ruim. Se um canal excelente carrega um canal medíocre, a média parece saudável e a verba continua mal distribuída. A conta que muda decisões é por canal, num período longo o bastante para ter contratos fechados — um semestre funciona bem. Um exemplo ilustrativo:
| Canal | Investimento (6 meses) | Contratos | Comissão líquida | Custo por contrato | ROI |
|---|---|---|---|---|---|
| Portal | R$ 10.800 | 2 | R$ 19.000 | R$ 5.400 | 76% |
| Tráfego pago | R$ 19.200 | 3 | R$ 34.000 | R$ 6.400 | 77% |
| Indicação | R$ 2.000 (bônus) | 2 | R$ 25.000 | R$ 1.000 | 1.150% |
Três leituras saem dessa tabela. Primeira: portal e tráfego estão praticamente empatados em ROI — a briga entre eles era empate técnico. Segunda: a indicação massacra os dois, e é o canal em que quase ninguém investe de forma deliberada; um bônus simples de indicação costuma ser a verba mais barata da casa. Terceira: os números são ilustrativos; a única tabela que importa é a sua.
Vale lembrar que canal não performa sozinho. Tráfego pago sem página decente e sem resposta rápida queima verba com aparência de “canal ruim”, quando o problema é operação.
Custo por lead engana; custo por contrato decide
Duas métricas intermediárias alimentam o ROI e são frequentemente confundidas:
- Custo por lead (CPL) = investimento ÷ leads gerados
- Custo por contrato = investimento ÷ contratos fechados
No exemplo acima, o tráfego pago gerou 160 leads por mês com R$ 3.200 — CPL de R$ 20. O portal gerou 30 leads com R$ 1.800 — CPL de R$ 60. Pelo CPL, o tráfego parece três vezes melhor. Mas no semestre os 960 leads de tráfego viraram 3 contratos (custo por contrato de R$ 6.400), enquanto os 180 leads de portal viraram 2 (custo por contrato de R$ 5.400). O canal “caro” por lead fechou mais barato por contrato, porque o lead de portal chega mais quente.
Regra prática: CPL serve para otimizar campanha dentro do canal; custo por contrato serve para decidir quanto orçamento cada canal merece.
E há um fator que contamina as duas métricas: a conversão depende do atendimento, não só do canal. Um levantamento da consultoria Sísmica apontou que até 62% dos leads imobiliários se perdem por falta de acompanhamento estruturado, e a chance de perder o lead cresce cerca de 40% depois de uma hora sem resposta. Antes de condenar um canal pelo ROI baixo, verifique se o problema não está no atendimento ao lead: funil com resposta lenta faz qualquer canal parecer ruim.
A margem real: desconte o split antes de comemorar
A comissão bruta é o número mais enganoso da conta. O caminho real do dinheiro numa venda de R$ 400.000 com comissão de 6%:
- Comissão total: R$ 24.000
- Split do corretor (suponha 50%): − R$ 12.000
- Imposto do regime da empresa sobre o que ficou: − mais uma fatia
- O que resta paga portal, anúncios, ferramentas, aluguel e salários
Se o custo por contrato daquele canal foi R$ 6.400, ele consome mais da metade do que sobrou depois do split e do imposto. A venda continua boa — mas está longe da folga que os R$ 24.000 sugeriam.
Usar comissão bruta superestima todos os canais na mesma proporção — a comparação entre eles até se sustenta, mas a decisão de quanto investir no total sai inflada. E em canais de ticket menor, como locação, a margem real pode nem existir: o canal “dá ROI” no papel e dá prejuízo no caixa.
Rastrear a origem do lead muda a conta inteira
Tudo o que está acima depende de uma informação: de onde veio cada contrato fechado. Na maioria das imobiliárias, essa informação morre no WhatsApp. O lead chega, o corretor atende, o negócio fecha meses depois — e no fechamento a “origem” registrada é o nome do corretor, não o canal que gerou o contato.
O rastreio não exige ferramenta sofisticada, exige disciplina:
- Campo “origem” obrigatório no CRM ou na planilha, preenchido na entrada do lead — não na venda, quando ninguém mais lembra.
- Links com UTM por canal apontando para páginas que você controla. Em site próprio dá para etiquetar cada formulário e saber de qual anúncio veio o contato; no portal, o lead chega pela plataforma e a origem é o próprio portal.
- Número ou link de WhatsApp diferente por canal, quando possível.
- Pergunta direta no primeiro contato — “como você chegou até a gente?” — registrada na hora.
- Amarração no fechamento: o contrato pertence ao lead original, não ao último atendimento.
Sem isso, a tabela de ROI por canal é ficção bem formatada. Com isso, ela vira o documento mais importante da reunião mensal: é ela que diz onde entra o próximo real e de onde sai o próximo corte.
Por onde começar
Nada disso exige software novo. Exige uma tarde de arqueologia e uma rotina daqui para a frente:
- Levante os últimos 6 meses de investimento por canal: faturas de portal, extrato das plataformas de anúncio, ferramentas, bônus de indicação pagos.
- Liste os contratos fechados no período e atribua uma origem a cada um — mesmo que precise perguntar corretor por corretor. Vai faltar informação; anote “origem desconhecida” e siga.
- Monte a tabela: investimento, contratos, comissão líquida após split, custo por contrato e ROI por canal. Uma planilha resolve.
- Crie o campo “origem” obrigatório para todo lead novo a partir de hoje, com lista fechada de opções (portal, anúncio, indicação, placa, orgânico).
- Agende 30 minutos por mês para atualizar a tabela e decidir uma realocação de verba — uma só, mas baseada no número.
Em 90 dias você terá a primeira safra de dados confiável. Na renovação do portal ou na definição da verba de anúncios do próximo semestre, a conversa deixa de ser “acho que funciona” e passa a ser “custa R$ 5.400 por contrato”. É outra reunião.
Perguntas frequentes
Como calcular o ROI de uma imobiliária?
Use a fórmula (receita gerada − investimento) ÷ investimento × 100. Some tudo o que foi gasto no período — portais, tráfego pago, ferramentas, bônus de indicação — e as comissões que esses gastos geraram. Um investimento de R$ 6.000 que resulta em R$ 21.000 de comissão dá ROI de 250%. Para uma leitura honesta, use a comissão líquida após o split do corretor e compare o investimento com os leads captados no mesmo período.
O que é um bom ROI para marketing imobiliário?
Não existe número mágico: o ROI mínimo aceitável depende do seu split, dos impostos e dos custos fixos da operação. Na prática, um canal precisa devolver bem mais do que consumiu para pagar a estrutura. Mais útil do que buscar um benchmark de mercado é comparar seus próprios canais entre si pelo custo por contrato e realocar verba do pior para o melhor a cada trimestre.
Qual a diferença entre custo por lead e custo por contrato?
Custo por lead é o investimento dividido pelos contatos gerados; custo por contrato é o investimento dividido pelas vendas ou locações fechadas. Um canal pode ter lead barato e contrato caro se a conversão for baixa. O custo por lead serve para otimizar campanhas no dia a dia; o custo por contrato é o que deve orientar a divisão do orçamento entre os canais.
Como rastrear a origem de cada lead imobiliário?
Crie um campo de origem obrigatório no CRM ou na planilha, preenchido na entrada do lead. Use links com UTM por canal, números ou links de WhatsApp distintos e pergunte no primeiro contato como a pessoa chegou até você. No fechamento, amarre o contrato ao lead original, não ao último atendimento — é isso que permite calcular o ROI por canal de verdade.
Por que descontar o split do corretor no cálculo do ROI?
Porque a comissão bruta não é receita da imobiliária. Se a comissão foi de R$ 21.000 e o corretor leva 40%, a casa fica com R$ 12.600 — e é esse valor que paga portal, anúncios e estrutura. Calcular ROI sobre a comissão cheia superestima todos os canais na mesma proporção e pode manter vivo um canal que, na margem real, dá prejuízo.