Como ser corretor de imóveis em 2026: curso, CRECI, custos e o primeiro ano

Para ser corretor de imóveis, é preciso concluir o curso de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI) ou uma graduação em Ciências ou Gestão de Negócios Imobiliários e se inscrever no CRECI do seu estado. Em 2026, a inscrição custa R$ 230 e a anuidade, R$ 918, cobrada proporcionalmente no primeiro ano. Depois vem a parte difícil: captar imóveis, escolher um nicho e organizar os contatos.
Toda semana alguém decide virar corretor. Às vezes depois de vender o próprio apartamento e ver de perto quanto vale uma comissão; às vezes depois de uma demissão; às vezes porque um conhecido fechou uma venda e contou quanto recebeu. A busca no Google é quase sempre a mesma: como ser corretor de imóveis, quanto custa o curso, como tirar o CRECI.
A parte burocrática tem regra clara e custo conhecido — este post mostra qual é, com os valores de 2026. Mas ela é só a porta de entrada. O que costuma derrubar o corretor de imóveis iniciante vem depois: meses sem comissão, carteira vazia e nenhum método para não perder os poucos contatos que aparecem. Por isso a segunda metade deste texto é sobre o primeiro ano.
O que a lei exige
A profissão é regulamentada pela Lei 6.530/1978. O artigo 2º é direto: o exercício da profissão “será permitido ao possuidor de título de Técnico em Transações Imobiliárias”. O Decreto 81.871/1978, que regulamenta a lei, completa: o título precisa estar inscrito no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI) da região onde você vai atuar.
Há dois caminhos de formação aceitos:
- Técnico em Transações Imobiliárias (TTI): curso técnico de nível médio, o caminho mais curto.
- Curso superior em Ciências Imobiliárias ou Gestão de Negócios Imobiliários, sequencial ou tecnológico, reconhecido pelo MEC — também aceito, como informa o próprio CRECI-SP.
Sem a inscrição, intermediar compra, venda, permuta ou locação de imóvel é exercício ilegal da profissão, e os conselhos fiscalizam.
Curso de corretor de imóveis: duração, EAD e a armadilha do curso irregular
O TTI é um curso técnico, então pede ensino médio concluído ou cursado junto. A carga horária varia de escola para escola. Nas portarias em que o COFECI reconhece cursos, aparecem desenhos de 900 horas (800 de aulas e 100 de estágio supervisionado), 960 horas e 1.000 horas. Para ter ideia de prazo: 900 horas a 20 horas por semana dão cerca de 45 semanas de estudo.
A matriz mínima que o COFECI exige das escolas (Resolução 1.476/2022) inclui direito imobiliário, matemática financeira, operações imobiliárias, avaliação mercadológica de imóveis, marketing imobiliário e ética profissional. Curso que promete formar corretor num fim de semana não cumpre isso.
EAD ou presencial
O curso a distância existe e é reconhecido, mas com duas ressalvas que o anúncio da escola raramente destaca:
- EAD não é 100% online. Nos cursos a distância reconhecidos pelo COFECI que consultamos, há carga presencial obrigatória — 160 horas em um, 280 em outro.
- A autorização tem endereço. As portarias do COFECI restringem o funcionamento da escola ao estado onde ela tem sede, e o estágio precisa ser feito no estado da sede ou de um polo autorizado.
Como saber se o curso vale
O COFECI só autoriza os CRECIs a receber diplomas de cursos que ele analisou e aprovou por portaria. E os regionais só aceitam diploma com o número de registro no SISTEC, o sistema do MEC que dá validade nacional ao diploma técnico — certificado de conclusão não serve. Em São Paulo, o diploma ainda precisa de registro no GDAE, da Secretaria da Educação.
Antes de pagar a matrícula, confira três coisas: se a escola aparece na lista de escolas de TTI do CRECI do seu estado, se o curso tem portaria vigente do COFECI e se o diploma sai com registro no SISTEC. Curso barato que não vira CRECI é o mais caro de todos.
Estágio: depende do curso — e do estado
Pela regra nacional (Resolução COFECI 1.476/2022), o registro de estágio no CRECI é opcional e vale quando o estágio está previsto no plano do curso. Nesse caso, o estudante recebe carteira de estagiário, e a taxa — R$ 276 em 2026 — é paga pela imobiliária ou pelo corretor que concede o estágio, nunca pelo aluno. Quando o curso não prevê estágio, o CRECI não registra o estudante, e ele não pode fazer plantão de vendas como estagiário.
Na prática, os regionais não tratam o tema do mesmo jeito. Em 26 de setembro de 2026, veio a público que o Ministério Público Federal em Mato Grosso abriu inquérito civil para apurar se o CRECI-MT pode exigir estágio supervisionado para conceder o registro a quem concluiu o curso técnico. A portaria foi assinada em 9 de setembro, e o MPF também quer entender indeferimentos registrados como “Creci inapto ao exercício”. O desfecho pode ser ação judicial, acordo, recomendação ou arquivamento. Enquanto isso, a orientação é simples: pergunte ao CRECI do seu estado o que ele exige antes de escolher a escola.
Como tirar o CRECI: passo a passo e custos em 2026
Com o diploma na mão, o caminho é parecido em todo o país. Usando o CRECI-SP como exemplo:
- Reúna os documentos. A lista do CRECI-SP inclui diploma com registro de validade, RG, CPF, título de eleitor, quitação militar (homens até 45 anos), certidão de estado civil, comprovante de residência, declaração sobre processos criminais e foto 3x4 em traje social.
- Protocole o pedido de inscrição principal e pague a taxa de inscrição.
- Aguarde a análise. Uma comissão avalia o processo e pode pedir documentos extras; depois, o plenário do conselho referenda.
- Pague a anuidade proporcional do ano e receba a identidade profissional.
Segundo o CRECI-SP, em condições normais, do protocolo à entrega da carteira leva em média 30 dias.
Os valores de 2026 são nacionais: foram fixados pela Resolução COFECI 1.556/2025, que proíbe os regionais de criar outras taxas. Valem, portanto, para o CRECI-SP e para os demais.
| Item | Valor em 2026 | Observação |
|---|---|---|
| Inscrição principal (pessoa física) | R$ 230 | Inclui a emissão da identidade profissional |
| Anuidade (pessoa física) | R$ 918 | No ano da inscrição, cobrada proporcionalmente aos meses restantes |
| Desconto por pagamento antecipado | Até 10% | Para quem quita até 31 de janeiro, a critério do regional |
| Registro de estagiário | R$ 276 | Pago por quem concede o estágio |
| Anuidade de pessoa jurídica | A partir de R$ 1.836 | Varia pela faixa de capital social |
Quem se inscreve em julho, por exemplo, paga R$ 230 mais algo perto de metade da anuidade. A partir do ano seguinte, a anuidade cheia vence até o fim de março. Some a isso o curso, cujo preço varia muito entre escolas.
Autônomo, associado ou empresa
Com o CRECI ativo, há três formas de trabalhar — e elas não se excluem ao longo da carreira.
Autônomo, como pessoa física. O corretor é profissional liberal e pode atender por conta própria, até com escritório, sem abrir empresa. A restrição: sem empresa registrada no CRECI, não pode usar nome fantasia. A divulgação sai com seu nome, a expressão “corretor de imóveis” e o número do CRECI, como orienta o CRECI-SP com base na Resolução COFECI 1.065/2007.
Associado a uma imobiliária. Desde 2015, a Lei 6.530 prevê o corretor associado: ele mantém a autonomia, sem vínculo empregatício, por meio de contrato de associação registrado no sindicato dos corretores. A imobiliária entra com marca, estrutura e leads; o corretor, com trabalho; a comissão é dividida. Para quem está começando, costuma ser o aprendizado mais rápido — desde que a casa tenha método. Vale ler como uma imobiliária deve montar a equipe de corretores para saber o que perguntar na entrevista: existe rampagem? Como os leads são distribuídos? A regra de comissão está por escrito?
Com CNPJ. Corretor de imóveis não pode ser MEI: a ocupação não está na lista oficial de atividades permitidas ao microempreendedor individual. O caminho é abrir empresa — empresário individual ou sociedade, inclusive unipessoal —, que também precisa de inscrição no CRECI e de um corretor inscrito como sócio-gerente ou diretor. A Lei Complementar 123 permite o Simples Nacional e enquadra a corretagem de imóveis no Anexo III. Em 2026, a anuidade do empresário individual é a mesma da pessoa física (R$ 918); a das sociedades começa em R$ 1.836. Converse com um contador antes de abrir: CNPJ costuma fazer sentido quando já há volume de comissões, não no primeiro mês.
Quanto ganha um corretor de imóveis
Não existe salário. A renda vem da comissão, e a comissão só existe quando o negócio fecha — para o associado, em geral, ela é repassada quando a imobiliária recebe.
Uma referência com fonte pública é o levantamento do DataZAP, do Grupo OLX, com base na PNAD Contínua do IBGE, divulgado em agosto de 2025: renda média mensal de R$ 4 mil no primeiro trimestre de 2025, com 71% dos corretores trabalhando por conta própria. Média, aqui, esconde muito: ela junta quem fecha várias vendas por mês com quem passou o trimestre sem nenhuma.
Os percentuais praticados na venda e na locação, e como funciona a divisão com a imobiliária, estão no post sobre comissão de corretor. Para o planejamento do primeiro ano, importa outra conta: quanto você gasta por mês — anuidade, celular, transporte, anúncios — e por quantos meses consegue se manter sem comissão. Comece com essa reserva, não sem ela.
O primeiro ano do corretor de imóveis iniciante
O CRECI dá o direito de trabalhar. Ele não traz imóvel, cliente nem método. Um plano realista para os primeiros doze meses tem quatro frentes.
Escolha um nicho pequeno
Um bairro e um tipo de imóvel: apartamentos de dois quartos numa região, locação residencial em poucos bairros, casas em condomínio de uma cidade. Nicho estreito faz você conhecer preço de verdade, reconhecer anúncio fora do mercado e virar referência para porteiros, síndicos e vizinhos. Quem atende qualquer coisa em qualquer lugar demora mais para ser lembrado.
Capte desde o primeiro mês
Corretor sem imóvel depende da carteira dos outros — e divide a comissão por isso. Imóvel captado é o que dá poder de negociação, inclusive dentro da imobiliária. Comece pela rede próxima, pelos prédios do seu nicho e pelos proprietários que anunciam sozinhos. As fontes e a abordagem estão detalhadas em captação de imóveis.
Presença digital com nome e número
Antes de responder sua mensagem, o cliente pesquisa você. Perfil profissional com nome, CRECI e região de atuação; anúncios com fotos boas e descrição completa; e, quando a carteira começar a existir, um site próprio com os imóveis organizados — ferramentas como o imoveis.plus existem justamente para isso. O que não funciona é depender só do status do WhatsApp.
Registre todo contato
O lead que você não registra hoje é o cliente que você esquece daqui a três semanas. Desde o primeiro atendimento, anote nome, telefone, o que a pessoa procura, de onde ela veio e a data do próximo contato. Pode começar numa planilha; o que não pode é não ter nada. E responda rápido: os primeiros minutos decidem muito, como mostra o post sobre atendimento ao lead imobiliário.
Por onde começar
Se você ainda não fez o curso:
- Pergunte ao CRECI do seu estado o que ele exige, inclusive sobre estágio, antes de escolher a escola.
- Confira a escola: portaria vigente do COFECI, presença na lista do CRECI e diploma com registro no SISTEC.
- Separe o dinheiro da inscrição: R$ 230 mais a anuidade proporcional de 2026.
Se você já tem o diploma ou o CRECI:
- Converse com duas ou três imobiliárias e compare rampagem, distribuição de leads e regra de comissão por escrito.
- Defina seu nicho — um bairro, um tipo de imóvel — para os próximos seis meses.
- Monte sua reserva e seu registro de contatos antes do primeiro cliente, não depois dele.
Tirar o CRECI leva semanas. Virar corretor leva o primeiro ano inteiro — e começa no dia em que você trata a profissão como negócio, não como carteirinha.
Perguntas frequentes
Como tirar o CRECI?
Primeiro, conclua o curso de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI) ou uma graduação em Ciências ou Gestão de Negócios Imobiliários, com diploma registrado — no caso do TTI, com o número do SISTEC no verso. Depois, protocole o pedido de inscrição principal no CRECI do seu estado, com os documentos pessoais, e pague a taxa de R$ 230. Aprovado o pedido, você paga a anuidade proporcional do ano e recebe a identidade profissional; no CRECI-SP, o processo leva em média 30 dias.
Quanto custa tirar o CRECI em 2026?
Os valores são fixados nacionalmente pelo COFECI na Resolução 1.556/2025: R$ 230 de inscrição para pessoa física e anuidade de R$ 918, cobrada proporcionalmente aos meses restantes no ano da inscrição. Os regionais podem dar até 10% de desconto para quem quita a anuidade até 31 de janeiro. O preço do curso é à parte e varia bastante entre escolas.
O curso de corretor de imóveis pode ser feito a distância?
Pode, desde que o curso da escola seja reconhecido por portaria do COFECI e o diploma saia com registro no SISTEC. Os cursos a distância reconhecidos que consultamos combinam aulas online com carga presencial obrigatória, e a autorização da escola vale para o estado onde ela tem sede. Antes de se matricular, confira a lista de escolas do CRECI do seu estado e pergunte se o curso inclui estágio.
Corretor de imóveis pode ser MEI?
Não. A ocupação de corretor de imóveis não consta da lista oficial de atividades permitidas ao microempreendedor individual. Quem quer CNPJ precisa abrir empresa, como empresário individual ou sociedade, inscrevê-la também no CRECI e pode optar pelo Simples Nacional, no qual a corretagem de imóveis é tributada pelo Anexo III. No começo, atuar como pessoa física ou associado a uma imobiliária costuma ser mais simples.
Quanto ganha um corretor de imóveis?
Não há salário fixo: a renda vem de comissões, que só existem quando o negócio fecha. Um levantamento do DataZAP com dados da PNAD Contínua do IBGE apontou renda média mensal de R$ 4 mil no primeiro trimestre de 2025, mas a média mistura quem vende muito com quem passa meses sem fechar. Para o primeiro ano, planeje uma reserva que cubra seus custos enquanto a carteira não gira.